Miriam Leitão revela inspiração para livro infantil: "Virei avó".


Depois do sucesso estrondoso de "Saga brasileira: a longa luta de um povo por sua moeda" (Record), laureado com o prêmio Jabuti, Miriam Leitão já se sente preparada para trilhar o caminho da ficção. A estreia no gênero será com "Tempos extremos", previsto para ser lançado em maio de 2014 pela editora Intrínseca. O livro usará dois tempos históricos, a escravidão e a ditadura, para falar sobre o presente. No bate-papo "Quando o gigante acordar - Aventuras de um país em busca de si mesmo", no espaço Café Literário, a jornalista econômica disse que está realizando, na maturidade, um sonho de criança, e que vive um momento em que "transborda alegria".
- Quando o "Saga" decolou, fiz uma coisa que achei que nunca faria: ficção. Comecei a escrever sem saber para onde estava indo. De repente eu fechava o computador e falava: "Miriam, você é maluca. Você não é ficcionista. Você é repórter". Só que eu acordava no meio da noite com uma cena na cabeça e ia escrever. O livro foi me chamando - disse Miriam, lembrando que só teve coragem de revelar o projeto ao marido muito tempo depois.
Além de "Tempos extremos", a jornalista e escritora se prepara para lançar uma não ficção, "História do futuro", e o infantil "A perigosa vida dos passarinhos pequenos" (Rocco), sobre meio ambiente e sua paixão por pássaros. Dona de uma fazenda, Miriam contou ter fugido da temática clássica de fantasia e revelou qual foi sua principal inspiração:
- Virei avó. Sabe aquele lado fofo que você escondeu a vida inteira? Ele aparece. Mas não é uma história tradicional. Não quero censurar, mas fugi desses contos sobre uma mulher que dorme por cem anos e é acordada por um príncipe encantado. O livro é baseado em fatos reais que testemunhei na fazenda. Tem uma mensagem ambiental, mas, principalmente, foi feito para divertir a criança. E sem moralismos como "você tem que salvar o planeta". Porque, coitadinha da criança, ela mal nasceu e já tem que salvar o planeta?
Para conciliar toda essa produção literária com os trabalhos de comentarista econômica do Bom Dia Brasil, da TV Globo, e da CBN, além de escrever para o GLOBO, Miriam precisou abdicar de muitas horas de sono e escrever durante as férias, feriados e fins de semana. "Dormir não é meu forte", diz. A paixão pela literatura, conta, veio desde muito cedo.
- Eu era uma nerd. Lia muito. Chegou uma hora em que não fazia mais nada. Minha mãe disse que eu precisava de um namorado. Então eu saí com um amigo do meu irmão que achei bonitinho. Na praça, perguntei: "Qual livro você está lendo?". Ele respondeu: "Nenhum". Aí fui para a casa - lembra a jornalista, cujo amor pelos livros a fez colocar a literatura em uma espécie de pedestal. - Eu dizia para mim: você não vai conseguir (escrever um livro). Mas era meu sonho. Desencave seus sonhos. Nunca é tarde.
O desejo de botar uma obra nas prateleiras foi sendo adiado até que ela decidiu pôr em prática o projeto de reunir artigos publicado no GLOBO durante anos. Ela leu cinco mil textos e selecionou 127. O resultado foi "Convém sonhar" (Record). Mas foi "Saga" que a consagrou como autora. Atualmente na oitava edição, a obra reconta a trajetória econômica do Brasil usando uma linguagem acessível. Embora a nossa moeda seja um personagem importante do livro, Miriam avalia que o verdadeiro protagonista é o povo brasileiro. E acredita que a opção por esse foco foi a responsável pelo êxito do trabalho.
- Não é uma história descarnada que você põe numa equação econômica. É a história que as pessoas viveram. Elas tiveram suas vidas alteradas por planos econômicos. Falei com muita gente. O que me impressionava nessas conversas era a persistência. O país queria uma inflação baixa - disse, acrescentando que se distanciar do "economês" para se aproximar da literatura a fez reescrever trechos inúmeras vezes. - Eu pensava: "Isso está chato". Afinal, eu estava escrevendo um livro sobre inflação. Já corria o risco de ninguém querer ler. Meu desafio foi ser exata do ponto de vista econômico, mas, ao mesmo tempo, meu público era todo mundo que não fosse economista.
- Quando o "Saga" decolou, fiz uma coisa que achei que nunca faria: ficção. Comecei a escrever sem saber para onde estava indo. De repente eu fechava o computador e falava: "Miriam, você é maluca. Você não é ficcionista. Você é repórter". Só que eu acordava no meio da noite com uma cena na cabeça e ia escrever. O livro foi me chamando - disse Miriam, lembrando que só teve coragem de revelar o projeto ao marido muito tempo depois.
Além de "Tempos extremos", a jornalista e escritora se prepara para lançar uma não ficção, "História do futuro", e o infantil "A perigosa vida dos passarinhos pequenos" (Rocco), sobre meio ambiente e sua paixão por pássaros. Dona de uma fazenda, Miriam contou ter fugido da temática clássica de fantasia e revelou qual foi sua principal inspiração:
- Virei avó. Sabe aquele lado fofo que você escondeu a vida inteira? Ele aparece. Mas não é uma história tradicional. Não quero censurar, mas fugi desses contos sobre uma mulher que dorme por cem anos e é acordada por um príncipe encantado. O livro é baseado em fatos reais que testemunhei na fazenda. Tem uma mensagem ambiental, mas, principalmente, foi feito para divertir a criança. E sem moralismos como "você tem que salvar o planeta". Porque, coitadinha da criança, ela mal nasceu e já tem que salvar o planeta?
Para conciliar toda essa produção literária com os trabalhos de comentarista econômica do Bom Dia Brasil, da TV Globo, e da CBN, além de escrever para o GLOBO, Miriam precisou abdicar de muitas horas de sono e escrever durante as férias, feriados e fins de semana. "Dormir não é meu forte", diz. A paixão pela literatura, conta, veio desde muito cedo.
- Eu era uma nerd. Lia muito. Chegou uma hora em que não fazia mais nada. Minha mãe disse que eu precisava de um namorado. Então eu saí com um amigo do meu irmão que achei bonitinho. Na praça, perguntei: "Qual livro você está lendo?". Ele respondeu: "Nenhum". Aí fui para a casa - lembra a jornalista, cujo amor pelos livros a fez colocar a literatura em uma espécie de pedestal. - Eu dizia para mim: você não vai conseguir (escrever um livro). Mas era meu sonho. Desencave seus sonhos. Nunca é tarde.
O desejo de botar uma obra nas prateleiras foi sendo adiado até que ela decidiu pôr em prática o projeto de reunir artigos publicado no GLOBO durante anos. Ela leu cinco mil textos e selecionou 127. O resultado foi "Convém sonhar" (Record). Mas foi "Saga" que a consagrou como autora. Atualmente na oitava edição, a obra reconta a trajetória econômica do Brasil usando uma linguagem acessível. Embora a nossa moeda seja um personagem importante do livro, Miriam avalia que o verdadeiro protagonista é o povo brasileiro. E acredita que a opção por esse foco foi a responsável pelo êxito do trabalho.
- Não é uma história descarnada que você põe numa equação econômica. É a história que as pessoas viveram. Elas tiveram suas vidas alteradas por planos econômicos. Falei com muita gente. O que me impressionava nessas conversas era a persistência. O país queria uma inflação baixa - disse, acrescentando que se distanciar do "economês" para se aproximar da literatura a fez reescrever trechos inúmeras vezes. - Eu pensava: "Isso está chato". Afinal, eu estava escrevendo um livro sobre inflação. Já corria o risco de ninguém querer ler. Meu desafio foi ser exata do ponto de vista econômico, mas, ao mesmo tempo, meu público era todo mundo que não fosse economista.
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