Amanheci o dia hoje explicando a você, Manuela, porque é o Dia Internacional da Mulher. Falei da luta das mulheres ao longo dos anos por direitos iguais. Infelizmente, ainda vivemos num mundo cheio de discriminação, preconceito e violência.
Hoje é Dia Internacional da Mulher porque gerações de mulheres tiveram que lutar muito para que nós possamos ser livres e fortes, porque a opressão contra a mulher ainda é uma realidade para milhões de mulheres em todo o mundo. Mas ainda hoje, mesmo depois de anos de luta, a cada 2 minutos, 5 mulheres são espancadas no Brasil. Ainda hoje, precisamos de leis, como a recentemente aprovada pelo Congresso Nacional, que pune os empregadores que pagam menos para mulheres que exercem a mesma função que homens.
Você tem grandes mulheres na sua vida. Sua bisa Zeca, mulher e mulata, que sempre estudou, trabalhou e teve sua independência. Sua bisa Mariana, que mesmo com 12 filhos, estudou e trabalhou ao longo de toda sua vida. A bisa Nativi, que não se abateu e fez plantão na porta do quartel onde seu avô e sua avó Miriam estavam presos pela ditadura. Sua avó Heloísa, que trabalha e luta diariamente por um futuro melhor para ela, seus filhos e netos. Sua avó Miriam, que usa suas armas - o papel, a caneta e a inteligência - para que você, minha filha, viva num mundo com mais respeito e igualdade.
Por falar na sua avó Miriam, ela ganhou dois prêmios do Troféu Mulher Imprensa e dedicou à você e à sua prima Mariana. Veja a coluna que ela fez hoje sobre o nosso dia.
Um dia não haverá Dia
Por Miriam Leitão
Não fugirei do assunto, nem negarei
a data. Hoje, dia 8 de março é dia da mulher. Gosto de tudo. De ser mulher e
haver um dia para comemorar isso. Vou explicar por que esse assunto tem que
estar em pauta. Explico primeiro com números, que este tem sido meu ofício.
Mulheres ganham menos que os
homens mesmo quando fazem o mesmo trabalho e têm o mesmo nível de escolaridade.
Pior, quanto mais ela estuda maior fica a diferença. Comparados, um homem e uma
mulher com três anos de estudo, ela ganha 82% do que ele ganha. Se for com 15
anos ou mais de estudo, ela ganha 58%. Entendeu por que? Eu entendi. É que elas
estão barradas nos boards, nas diretorias executivas, no comando.
Claro, tem a Dilma, tem a Graça.
É muito: é a presidência do país e da maior empresa brasileira. Mas não é o
suficiente. Será melhor quando a gente nem conseguir singularizar, porque será normal,
parte da paisagem.
Na India há 300 milhões de
mulheres analfabetas. A China é dirigida por homens desde sempre. Este ano, Xi
Jiping vai para o lugar de Hu Jintao. Sai um homem, entra outro. Os Estados
Unidos em 200 anos de democracia, não encontraram uma mulher suficientemente
boa para presidir o país. E olha que os americanos nem são tão exigentes;
aceitaram oito anos de George Bush. No Brasil, o número de parlamentares de
sexo feminino é 8%. Na Arábia Saudita ela só pode sair de casa com alguém do
sexo masculino, não dirige carro, não pode ser eleita, não escolhe o marido, não
existe, praticamente. No Irã pode ser apedrejada até a morte se for acusada de
infidelidade. No Afeganistão tem que casar com seu estuprador ou ir para a
cadeia pelo crime que foi cometido contra ela. Só para ficar em casos recentes.
Enfim, eu posso ir com esta coluna
para qualquer lugar que vou encontrar uma barreira, um absurdo, um preconceito,
uma violência, um motivo para pensar nessa metade da humanidade à qual eu
pertenço.
Tem gente que pergunta: por que
não o dia do homem? No dia da consciência negra, essas mesmas pessoas
perguntam: por que não o dia do branco? No dia da pessoa com deficiência essas
pessoas pensam, mas não perguntam, porque pode pegar mal, se não deveria haver
um dia dos “normais”. O problema é o seguinte: quem sofre alguma discriminação é
que precisa ter o seu dia. Óbvio. Quem não entendeu isso, volte à quadra um.
Eu tenho um sonho. Sim, do tipo
daquela frase do Martin Luther King. Meu sonho é mudar isso tudo nos próximos
15 a 20 anos, no máximo. Assim, quando minhas lindas, inteligentes e sedutoras
netas – Mariana tem 5 anos e Manuela, 5 meses – chegarem à juventude vão poder
viver num mundo novo.
É isso, Mari e Manu. Por vocês,
não mais por mim, vou continuar na briga. Sem descanso, sem trégua. Quando crescerem, quero que vocês
tenham o direito – e a alegria - de correr para o abraço.
É minha afilhada...temos que lutar bravamente e diariamente por um mundo mais justo para nós mulheres!!
ResponderExcluirBjuss cheios de saudades