quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O começo de uma nova vida!

O dia 17 de setembro seria um sábado como tantos outros.

Manhã lendo jornais, almoço em família, soneca à tarde pegando um ventinho....  Mas de repente, exatamente às 17h20, senti uma umidade inesperada. Vou ao banheiro e sai um pouco de sangue. Acho estranho. Penso em ligar para a dra Lucila, minha ginecologista, mas decido esperar um pouco. Deito novamente e vem uma contração com dor. Era a primeira vez que sentia dor durante uma contração. Resolvo marcar o tempo. Troco mensagens com a jornalista do estadão, Mariangela Gallucci, sobre a decisão do STJ de anular provas da operação Boi Barrica, que investiga José Sarney e o filho dele.  Dez minutos depois, nova contração. Em seguida, a terceira contração com intervalo de 10 minutos entre elas. Penso novamente em ligar para dra Lucila. Levanto e começo a pingar. Uma forte emoção toma conta de mim. Tenho vontade de rir e chorar ao mesmo tempo. Era chegada a tão esperada hora. Manuela deu o sinal de que estava pronta para nascer!

"Amor, a bolsa estourou!", Foi assim que acordei o Vla. Ele deu um pulo da cama com uma cara de espanto!

Faria 40 semanas no dia 20.

Ligo para dra Lucila e para a Rafaela, minha doula. Tudo sob controle. A ordem foi ficar em casa aguardando a evolução. Ficamos de manter contato a cada hora.

Pelo Vla, teríamos ido para o hospital naquele momento, mas ainda era a fase latente. Não havia necessidade. Eu queria ficar a maior parte do tempo em casa.

As contrações continuam no mesmo ritmo. Tomo banho, como, caminho, rebolo, fico de cócoras ... Enfim, ajo como havia me preparado nos últimos meses.

A esta altura Vladimir está agoniadíssimo. Eu tento acalmá-lo. As contrações não avançavam. Não temos muito o que fazer, a não ser esperar.

Por volta das 21h30 Vla começa a avisar a família. E começam as ligações de todos, justamente o que eu temia. Nesse meio tempo dra Lucila me liga e informa que só havia uma vaga no Hospital Santa Lúcia. Com isso os planos mudam, temos que ir para o hospital para garantir a vaga, pois não sabíamos como seria a madrugada.

Vladimir está com os nervos à flor da pele. "Sua bolsa estourou há mais de 5 horas e você nem foi examinada ainda. Temos que fazer algo", reclama nervoso. Eu tento acalmá-lo, digo que esta tudo sob controle, mas não tem jeito.

Fomos para o hospital com o Vla dirigindo rápido, tenso e brigando comigo (rs).

Era mais ou menos umas 23h quando passei pelo primeiro exame: 1 cm de dilatação. Ou seja, tudo indicava que seria uma longa noite. Passamos a noite eu, Vla e Rafaela. Caminhamos pelos corredores do hospital, fiz exercícios, acupuntura, ouvi hypnobabies e as contrações continuavam a cada 10 minutos, às vezes o intervalo variava de 7 ou 5 minutos, mas muito irregular. Cheguei a cochilar entre uma contração e outra, chupei picolé, bebi água de coco, comi ... Vomitei duas vezes nas contrações mais fortes, mas nada demais.

Minhas frases durante esse longo processo foram: "está vindo" - "está indo"!

Por volta das 6h da manhã tive que entrar no antibiótico. Depois de 12h de bolsa rota o risco de infecção aumenta e a intenção era evitar qualquer risco.

Dra Lucila chegou por volta das 7h e fizemos uma nova avaliação. Tudo na mesma: 1 cm de dilatação! Aliás, quase na mesma. Manuela estava com 180 batimentos cardíacos por minuto. Momento tenso! Mas dra Lucila, com toda calma, avaliou que poderia ser pelas longas horas sem me alimentar direito,  ela aumentou o soro e decidiu esperar mais um pouco. Essa atitude foi muito importante, pois num momento desse a maioria dos médicos avaliariam como sofrimento fetal grave e eu acabaria numa cesárea de emergência. Ela tinha consciência da minha vontade e agiu conforme havia falado que iria tentar tudo para ser parto normal até o limite possível e controlável.

Eu sabia que as coisas estavam dentro do controle, mas fiquei apreensiva. Dra Lucila saiu, eu e o Vla demos as mãos e fizemos uma oração. Pedimos a Deus pela saúde da Manuela, pedimos para que tudo desse certo! Ele nos ouviu!

Por volta das 8h30, nova avaliação. O coração da Manuela voltou a bater tranquilamente, graças a Deus, mas minha dilatação não avançava! O jeito foi entrar na ocitocina. Não queria, mas a bolsa havia rompido há 15 horas, eu continuava com 1 cm de dilatação, Manuela estava alta e meu colo não tinha apagado completamente. Até pensei em pedir para esperar um pouco mais antes de entrar com o hormônio, mas fiquei com receio, tendo em vista que a Manuela tinha que nascer nas próximas 9 horas.

Entrei na ocitocina por volta das 9h da manhã e em uma hora cheguei aos 6 cm de dilatação. Não imaginava que seria tão rápido!

É impressionante como o hormônio artificial altera completa e rapidamente o ritmo e o tipo das contrações. A forma como as contrações chegam é diferente, a dor é diferente, o corpo reage de outra forma.

Depois de um tempo, com o avanço das contrações fui para o chuveiro para aliviar um pouco. Ficamos eu e o Vla, de luzes apagadas, debaixo da água quente. Ele me apoiava, massageava minhas costas, me fazia carinho ... Eu levantava, abaixava, rebolava, ficava de cócoras ... Foi um momento mágico. Estávamos juntos e a cada minuto mais perto de ter Manuela em nossos braços!

A cada momento as contrações ficavam mais intensas e mais ritmadas. 8 cm de dilatação. Chegava a hora de ir para a sala de parto.

Desci caminhando para a sala de parto, parava, apoiada no Vla, a cada minuto com contração. A dor era intensa, mas o Vla estava comigo e a Manuela estava chegando.

Depois de tanto tempo comecei a me sentir fraca e fiquei com medo de não ter forças para expulsar a Manuela. Nesse momento decidi tomar anestesia. Confesso que me arrependo. Eu daria conta, tenho certeza, mas tive medo! A anestesia foi pontual, aliviou as dores na lombar, mas continuei a sentir as contrações e ter controle dos movimentos.

Chegamos na sala de parto por volta das 10h30.

Logo alcançamos os 10 cm, Manuela já estava encaixada, mas meu colo ainda atrapalhava um pouco.

Agora era a hora de fazer aquela força comprida e para fora que ouvi e treinei tanto ao longo dos nove meses! Uma, duas, três ... Sei lá quantas vezes ... Dra Lucila fala já dá para ver o cabelinho ... Que emoção! Mais força, ela coroou! Vladimir olha nossa filha chegando, depois vem no meu ouvido e fala: "só mais uma vez que nossa filha tá nascendo". Uma força impressionante toma conta de mim e Manuela vem para os meus braços! Tudo tão rápido. Não chorou, não quis mamar, acho que estava cansada ...

Qual a sensação de ver minha filha pela primeira vez? Inexplicável. Só lembro dela sujinha, encolhidinha, dos olhinhos fechados, do rostinho enrugado e do Vla ao meu lado. Tinha planejado tantas coisas para esse momento, queria dizer tantas coisas ... mas apenas agradeci muito a Deus pelo milagre da vida! Ficamos juntos por alguns momentos, extasiados, emocionados ...

Manuela, você nasceu linda e saudável, com 3,1 kg e 48 cm, às 11h40 do dia 18 de setembro. Era um domingo de sol. O dia mais abençoado, iluminado e feliz de nossas vidas!

Ainda na sala de parto liguei para casa, Andressa atendeu: "vem conhecer sua sobrinha", disse chorando.

Pouco depois fomos para o quarto, você em meus braços, seu pai ao nosso lado. A família estava completa!


3 comentários:

  1. Gi, que emoção!!! Meus olhos encheram de lágrima no finalzinho! Muito lindo! Parabéns pela garra e determinação em trazer a Manuela ao mundo de forma natural. Eu não teria essa coragem, alías, passei mal só de ler! rsrsrs! Parabéns mesmo! Que família linda! Você merece! Muitos beijos

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  2. Ma, obrigada. Foi sim muita determinação e força de vontade. Foi uma experiência única. Faria tudo de novo, mil vezes! super bj

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  3. Estou chorando... que depoimento mais lindo!
    Pena que não sou tão corajosa.... Parabéns pela força de vontade. Fiquei emocionada quando soube que você tinha conseguido realizar seu desejo de que Manuela viesse ao mundo assim. Lindo!

    Logo, logo vou visitar essa família _agora completa!

    Beijo imenso pra vcs!

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