sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Mais que um!

Nesta reta final, faltando pouco mais de tres semanas para você chegar, acho que começo a entender um pouco mais o que é estar grávida.

A gravidez é sem dúvida um momento único na vida da mulher. Acho, inclusive, que também é um momento único na vida do homem. Claro, daquele homem que busca viver esse momento, compartilhar experiências e não ser apenas um expectador.

Com a gravidez começamos a ter que desenvolver uma nova forma de encarar a vida. Não somos mais apenas um. Dividimos nosso corpo com uma outra pessoa e desde o início temos que negociar para que ambas fiquem bem, satisfeitas e felizes. As mudanças são muito grandes e intensas, não se tem escolha. De repente a gente se vê no meio de uma avalanche de acontecimentos nunca antes imaginados, tem que ir entrando no jogo, se adaptando e se ajustando. Corpo, cabeça, individualidade, vontade, desejos ... nada disso mais é apenas do jeito que só você quer e/ou deseja. 

Sem dúvida a gravidez deve ser um excelente teste para a maternidade, principalmente nos primeiros dias. Afinal, se é assim enquanto você está aí dentro, imagina quando você sair?

Acho que para viver a maternidade temos que tentar nos desapegar das tantas certezas que desenvolvemos ao longo da vida. Temos que nos distanciar da relação de mãe e filha que tivemos até então, pois é uma nova relação que vai se construir, com um novo ser, que terá suas necessidades, vontades, desejos próprios. E só vamos descobrir como é isso com o dia-a-dia.

Tenho que confessar que para mim isso não é uma tarefa muito simples. Sou muito selfish. Mas é engraçado que com você - pelo menos até agora - essa negociação foi tranquila, nunca me senti agredida, invadida ou mal por isso. É até surpreendente! Espero que continue assim depois que você nascer, pois imagino que aí a negociação será muito mais intensa. 

Hoje, a Dorota, minha colega de yoga, contou que começou a pintar e ela fez um desenho dela grávida, mas sem o rosto. Ficou chocada, pois se viu sem personalidade, sendo apenas uma "caixa" de transporte. 

Refleti muito sobre isso e acho que nunca me vi ou senti assim. No fundo somos um pouco isso mesmo, mas não apenas. Quando aproveitamos essa experiência para nos conhecer melhor, explorarmos nossos limites e desafiarmos nossa capacidade de ser mais que um.

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