quarta-feira, 24 de agosto de 2011

24 de agosto.

Há quatro anos tudo começou. Na verdade começou uma semana antes.

Seu pai apareceu do nada no meu trabalho, com a desculpa de falar de uma pauta qualquer. Chegou, elogiou a vista, tirou o paletó, pendurou na cadeira ... Como sempre fez ... Nada demais até então. Era fim do dia, eu tinha um compromisso, queria ir embora logo. Ele me convidou pra lanchar. Topei, desde de que fosse rápido. Papo de trabalho para lá e para cá, de repente o papo muda de rumo e ele começa a se declarar. Fiquei sem reação. Não esperava nunca. Tinha acabado de decidir me separar. Estava muito confusa e aquela situação me pegou de surpresa. Decidi encerrar o papo logo, levantamos e fomos embora. Na despedida, troca de olhares enquanto esperava o carro.

Claro que aquilo mexeu comigo. Seu pai é um gato (rs), mas fiquei completamente sem reação. Depois de sete anos, era a primeira vez que estava livre e desempedida, mas não soube como reagir a cantada.

Fim de semana passou. Sai, ri, me diverti com amigas. Mas aquela sexta, de alguma forma mexeu.

Na segunda, seu pai me liga e convida para almoçar. Inventei uma desculpa, uma reunião de última hora. Mas ele não desiste. Terça liga de novo. Cedi e fomos almoçar. Mais uma vez: papo de trabalho para lá e para cá, até que na sobremesa ele pede um petit gateau para dividir, danadinho (rs). Aí o papo mudou de rumo novamente. Ele falou muito, de como eu mexia com ele, mas que sabia que eu era casada e tal ... Eu disse apenas que estava passando por uma fase complicada. Terminamos a sobremesa e voltei para o trabalho.

Na quarta começou no STF o julgamento da denúncia do mensalão (um grande caso de corrupção no governo federal, um dia te explico o que é isso). Eu, acompanhando meu chefe, e ele cobrindo o julgamento. Os dias passaram com trocas de olhares e conversas. É engraçado, mas os corredores do Supremo são testemunhas desse importante momento na nossa vida.

Na sexta ele me liga e diz que mandou um email. Sento a minha mesa e fico sem reação diante do e-mail do seu pai. Num fim de tarde, da praça dos Três Poderes, ele senta, liga o notebook e me manda um e-mail lindo, profundo, verdadeiro - um dia te mostro, minha filha. Mais uma vez fico sem reação (rs). Ligo para ele, que não me deixa falar, pergunta onde estou e vem ao meu encontro no trabalho. Minhas pernas tremem (rs). Seu pai chega. Ele começa a falar e eu volto com o discurso de que estou numa fase complicada, que estou me separando. Ele me corta e pergunta: "em que fase?". "Ele saiu de casa.", respondo. Ele diz enfático: "vamos embora daqui agora". Sem pensar, desligo o computador, descemos juntos ... e tudo começa ...

Primeiros toques, primeiros beijos ainda dentro do carro, interrompidos pelo meu chefe ligando para discutirmos o julgamento (rs), depois um jantar especial, bolado de última hora pelo seu seu pai, ao som de Miles Davis ...

E hoje, após quatro anos, estamos comemorando este dia com o melhor presente: você!

Foram quatro anos de conhecimento, de amor intenso, de dificuldades, de alegrias infindáveis, de dúvidas, de "dias pelados", de incertezas, de fins de tarde no ventinho, de muitos risos, algumas tristezas ... enfim, de uma relação que tem se construido e se fortalecido a cada dia. E com a sua chegada se fortaleceu a se aprofundou ainda mais.

Você, Manuela, mudou nossa vida, nossa relação, nosso jeito de encarar o mundo ... desde o primeiro momento. Obrigada!

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